Praça do Rock - um rápido desabafo

(por Paccelli Gurgel)
Pois é. Chegou, ou pelo menos está chegando, o momento tão esperado. A Praça do Rock. A Arleca vai tocar. Vai tocar com todo o vigor que lhe é característico. Afinal a banda nasceu com vistas a esse evento e a despeito de se apresentar em qualquer espaço (adequando o repertório, é claro), a nossa casa é a Praça do Rock. É alí onde nos sentimos plenamente realizados. É alí onde nossa música mais encontra ressonância. Mas sinceramente estamos profundamente magoados com o descaso dispensado ao que consideramos o diferencial do carnaval de Cajazeiras. A Praça do Rock é que faz a diferença, sim senhor e senhora. No Nordeste só conheço nossa Praça e o Festival Internacional de Jazz de Guaramiranga - CE que oferecem opção às formulas tão batidas utilizadas na Folia de Momo: pagode, axè, frevo, blocos, mela-mela e outras do tipo. Mas ninguem das "altas esferas" parece perceber isso. Os amigos e amigas nem imaginam os bastidores, o esforço de TODAS AS BANDAS pra manter aquilo alí funcionando. Para se ter uma idéia o Arlequim Rock'n'Roll Band não recebeu AINDA O CACHÊ DO ANO PASSADO. A importância de 225,00 reais parece que se constitui em uma quantia indisponível em caixa para pagamento DURANTE TODO O ANO DE 2007. Por extenso: DUZENTOS E VINTE E CINCO REAIS. Esse ano o cachê é de ... de... de... 100,00 reais. CEM REAIS. Os amigos e amigas sabem que o Arlequim não é uma banda profissional. Seus músicos não vivem de suas guitarras, teclados, baixo e bateria. Mas qualquer centavo que entre no caixa da banda é revertido para aquisição de material básico e de manutenção. Pra se ter uma idéia AS CORDAS DO CONTRABAIXO CUSTAM EM TORNO DE 100 REAIS, isso se for de uma marca popular. O cachê deste ano, portanto, deverá , se pago, cobrir as 4 cordas do contrabaixo do Diego. Mas tudo bem. Tenho certeza que NENHUMA BANDA LOCAL SE NEGARIA EM TOCAR, MEMSO DE GRAÇA, CONTRIBUINDO PARA MANTER AQUELE ESPAÇO, REALÇANDO MAIS AINDA O CARNAVAL DA CIDADE. Tenho certeza disso. Então gente, o mínimo que se podia esperar seria uma estrutura digna para que os artistas pudessem desenvolver alí seus trabalhos. Mas nem isso. O palco será o mesmo de sempre: AQUELE PALANQUE. Gente, quem está de fora pode achar frescura, mas o caso é sério. Aquele palanque é um perigo. UM PERIGO, REPITO. O ano passado os amigos lembram que no dia da apresentação da banda (primeiro dia) choveu e o Arlequim se recusou a tocar, fazendo-o no segundo (domingo). Alguns puderam pensar ser "charminho". NÃO FOI É NÃO É. Quando chove, AQUELE PALANQUE SE TRANSFORMA EM UMA TOMADA. CONTATO COM QUALQUER PARTE METÁLICA DELE É GARANTIA DE LEVAR UM CHOQUE. Qualquer desarranjo na parte elétrica e o excesso de energia sobe pelos cabos e acaba no corpo do músico, forte candidato a defunto. Sem contar o estrago que pode se fazer no material da banda pois a água escorre pra DENTRO do palco. Sabem quanto custa uma pedaleira das que a Samara usa? Em torno de 2000 reais. Mesma coisa com a de Paccelli. E os cubos amplficiadores? Imagina aí dois cubos, um de 120 watts e o outro de 100 watts quanto está no mercado. Um Meteoro e um Crate... Vou deixar vc pesquisar e nem precisa ir atrás dos instrumentos em sí.... Todo esse risco por ... 100 reais... ou por 225 reais não recebidos...
Soubemos o valor do projeto do Carnaval. O valor total a ser gasto em todo o Carnaval 2008. 250 mil reais aproximados. DUZENTOS E CINCOENTA MIL REAIS, REPITO. Aproximados, claro. E nós vamos tocar em um palanque que dá choque... E vamos TALVEZ RECEBER 100 REAIS DE CACHÊ. Se porventura alguém acreditar que exageramos no valor de 250 mil reais, faz o seguinte: reduza esse valor para, digamos 100 mil reais. E coloca aí dentro os 100 reais, CEM REAIS, do nosso cachê... que disparidade não ??? Amigos e Amigas. ISSO É UM INSULTO, UM ACINTE, UM TAPA NA CARA DE CADA UM QUE TRABALHA COM SEU INSTRUMENTO, GASTA COM ELE, ROUBA TEMPO DA VIDA PROFISSIONAL, FAMILIAR E SOCIAL PARA SE TRANCAR EM UM SET DE ENSAIO COM A PREOCUPAÇÃO DE UMA APRESENTAÇÃO DIGNA DO PÚBLICO QUE FREQUENTA A PRAÇA DO ROCK, UMA PERFORMANCE QUE NÃO DESMEREÇA O CARNAVAL DA CIDADE.
O Arlequim vai tocar. E só vai usar o microfone para falar de Rock'n'Roll, de alegria, de consciência social. Esse assunto desagradável não será tratado no palco pois demais respeitamos o público para fazê-lo. E afinal não estamos lá forçados. Mas gostaríamos que cada um soubesse em que condições nos apresentamos. Grande Abraço.

3 comentários:

Emiliano Pordeus disse...

Todas as razões voltadas ao nosso irmão ilustre Paccelli Gurgel!
Cara, a PRAÇA DO ROCK tem um enorme destaque no Carnaval Cajazeirense, acho que a prefeitura(Principal suspeito) deveria se conscientizar e se mobilizarem o mais cedo possível, buscando resgatar o verdadeiro valor do evento, pois as banda de rocks locais, merecem ser reconhecidas, serem bem pagas, terem uma boa estrutura para as apresentações, como: um bom som, um bom palco, até um lanchezinho no final porque ninguém é de ferro! risos... até porque são filhos da nossa querida Cajazeiras, o incentivo é o apce do ego de cada um nós, e as bandas daí tem todo um profissionalismo trabalhado e merece ser bem visto por todos!

Espero que esse texto maravilhoso de Paccelli, entre no conhecimento de todos!

Um abraço e boa sorte na caminhada ARLECAS!

Tiago Guns disse...

Grande Pacceli. Agora você falou tudo o que passa na praça de rock e as dificuldades que uma banda tem para ter o seu melhor desempenho. Vocês por exemplo, ficam ensaiando meses e meses, e quando vão colocar o seu trabalho esforçado no palco, tem que tirar praticamente do seus bolsos para continuar o "show" (trabalho).

Mas isso vai melhorar com certeza através desse desabafo e ARLEQUIM vai arrasar mais uma vez na praça do rock.

Abraço para todos.

magali disse...

Ola grande arleca! Eu n sei como é o trabalho ai em cajazeiras mas sei do sofrimento de outras bandas locais q tocam aqui em campina e passam pelo msm problema e dificuldade que voces. Não é facil ser artista num estado onde só é valorizado produto de fora.

Mas boa sorte p vcs nesse ano!
Um abraço

Magali